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Instituto Brasileiro de Debates

O Debate de Facebook

22, Mar de 2017

Quem me conhece sabe que eu gosto de um bom debate, daqueles que as pessoas ficam apaixonadas e os ânimos se exaltam um pouco. Para mim, um debate tem que ter paixão, tem que ter emoção.

Todavia, algumas coisas têm me deixado muito desanimada em relação a discussões e debates, principalmente quando eu falo de redes sociais.

Desde as eleições de 2014, o Brasil vive um intenso período de polarização política. PT X PSDB. ?Coxinhas? X ?Petralhas?. "Tchau, Querida" X ?Fica, Querida?. As redes sociais viraram espaço para propaganda política, desabafo, discussão e muito, muito ódio.

Acredito que eu nunca tenha visto tanta confusão online quanto na época daquelas eleições e durante o processo de Impeachment da presidente Dilma. Pessoas desconhecidas brigando com pessoas desconhecidas, desafetos jogando um na cara do outro como o ?seu lado? é melhor, amigos desfazendo amizades de anos por conta de posts no Facebook ou no Twitter.

A discussão saudável parece ter acabado. Estamos na época do ?ou você concorda comigo ou não podemos mais conviver?. Falta mais compaixão. E compreensão. E talvez um pouco mais de bom senso.

Talvez,a possibilidade de excluirmos algumas opiniões de nossas ?timelines? fez com que nos afastássemos demais das opiniões divergentes (e, se não há divergência, não há debate). Onde ficaram os debates de conteúdo? Os ?posts? que analisam os dois lados da discussão? Onde estão aquelas pessoas que sabem que para se viver em sociedade é preciso aceitar o diferente?

Precisamos de mais ?seres pensantes? online e menos torcidas de futebol.



MALU CHAN é diretora do IBD em tempo integral, advogada de 9h a 18h e youtuber nas horas vagas.

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[este texto faz parte da edição especial da Chicundum sobre o IBD. Para saber mais sobre essa parceria, você pode clicar aqui]